segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O país do orfanato Liberal


Os gritos ensurdecedores dos liberais contra Rui Rio fazem-me lembrar os berros dos cabritos órfãos a quem lhes puseram a cabra leiteira na cerca do lado. Cheiram, vêm ... mas não podem mamar.

Esta nova direita Portuguesa, não católica, não conservadora, que defende as liberdades extremas, contrariamente à direita clássica é até um pouco libertina, amoral e apátrida. Autoapelidados de liberais são na verdade um pequeno subgrupo da classe média mais endinheirado, que se tivessem nascido nos finais do século XIX se poderiam chamar alta burguesia. Tal como a alta burguesia aspirava ser baixa nobreza este pequeno subgrupo procura agarrar-se à elite do capital na esperança de obter o seu baronato. Os Barões, Morgados e Fidalgos do século XXI não conseguem, no entanto, fazer eco do seu estatuto na sociedade, são ridicularizados pela direita clássica e rejeitados pelo centro esquerda.

Durante alguns anos sentiram-se abrigados no PSD de Passos. Sentiram-se importantes, chegaram a pensar que tinham transformado os sociais-democratas em seus seguidores, viviam perto da direita clássica de que aspiram fazer parte, mas à qual não conseguem aceder sem, pelo menos, aprender a rezar o Pai Nosso. Faziam parte do poder, criavam as desigualdades enquanto defendiam que estavam a implementar uma meritocracia. Só que esta suposta meritocracia de mérito nada tinha, a não ser para quem tinha o mérito de conhecer as pessoas certas, ou para quem tinha o mérito de ter uma família endinheirada

Rui Rio veio e estabeleceu a dita cerca, afastou estes liberais do poder e lembrou-lhes que a social democracia não era a sua mãe. Podem ir lá a casa comer de vez enquanto, serão bem-vindo tal como o serão os socialistas ou a direita clássica, mas continuam a ser órfãos, de partido e de eleitores.

Juntando o seu pequeno número de vozes, ecoam sincronizadamente num jornal ou noutro que devido à falta de leitores e de assassinatos no dia resolvem ajudar a entoar os seus berros e assim soam mais lato e parecem muitos. Procuram negar o obvio: Eles são poucos e os restantes Portugueses não são liberais no sentido económico-social da palavra, e muito menos o são os militantes do PSD.

Mas caros leitores, não se preocupem com estes órfãos. Tal como os pequenos cabritos, com um pouco de tempo e paciência do pastor, aprenderão a comer palha e esquecerão o leitinho.

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