Os gritos ensurdecedores dos liberais contra Rui Rio fazem-me
lembrar os berros dos cabritos órfãos a quem lhes puseram a cabra leiteira na cerca
do lado. Cheiram, vêm ... mas não podem mamar.
Esta nova direita Portuguesa, não católica, não
conservadora, que defende as liberdades extremas, contrariamente à direita
clássica é até um pouco libertina, amoral e apátrida. Autoapelidados de liberais são na verdade um
pequeno subgrupo da classe média mais endinheirado, que se tivessem nascido nos
finais do século XIX se poderiam chamar alta burguesia. Tal como a alta burguesia
aspirava ser baixa nobreza este pequeno subgrupo procura agarrar-se à elite do
capital na esperança de obter o seu baronato. Os Barões, Morgados e Fidalgos do
século XXI não conseguem, no entanto, fazer eco do seu estatuto na sociedade, são
ridicularizados pela direita clássica e rejeitados pelo centro esquerda.
Durante alguns anos sentiram-se abrigados no PSD de Passos.
Sentiram-se importantes, chegaram a pensar que tinham transformado os sociais-democratas em seus seguidores, viviam perto da direita clássica de que aspiram
fazer parte, mas à qual não conseguem aceder sem, pelo menos, aprender a rezar
o Pai Nosso. Faziam parte do poder, criavam as desigualdades enquanto defendiam
que estavam a implementar uma meritocracia. Só que esta suposta meritocracia de
mérito nada tinha, a não ser para quem tinha o mérito de conhecer as pessoas
certas, ou para quem tinha o mérito de ter uma família endinheirada
Rui Rio veio e estabeleceu a dita cerca, afastou estes liberais
do poder e lembrou-lhes que a social democracia não era a sua mãe. Podem ir lá
a casa comer de vez enquanto, serão bem-vindo tal como o serão os socialistas
ou a direita clássica, mas continuam a ser órfãos, de partido e de eleitores.
Juntando o seu pequeno número de vozes, ecoam sincronizadamente
num jornal ou noutro que devido à falta de leitores e de assassinatos no dia
resolvem ajudar a entoar os seus berros e assim soam mais lato e parecem muitos.
Procuram negar o obvio: Eles são poucos e os restantes Portugueses não são liberais
no sentido económico-social da palavra, e muito menos o são os militantes do
PSD.
Mas caros leitores, não se preocupem com estes órfãos. Tal
como os pequenos cabritos, com um pouco de tempo e paciência do pastor,
aprenderão a comer palha e esquecerão o leitinho.

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