quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Figura publica acidental

 


Desde o fim da Monarquia que ninguém nasce uma figura publica e são raras as situações em que alguém fica uma figura pública sem que o tenha procurado. Pode até acontecer ser-se momentaneamente uma figura de interesse publico por circunstâncias acidentais, mas mesmo nesses casos maioritariamente só se transformam em figura pública as que aproveitam o momento para lançar protagonismo pessoal.

Uma vez sendo uma figura pública, tudo o que se faz na esfera pública é parte desse papel. Excluem-se naturalmente as questões familiares, o grupo de amigos, o pessoal com que joga à bola, onde a privacidade deve ser respeitada. Neste contexto e para dar um exemplo as piadas da besta do João Quadros passam muitas vezes o limite, quando deixam de tocar nas relações publicas e passas a entrar na esfera privada de uma figura publica.

Tirando isso todos os atos de alguém que decidiu ser uma figura publica são escrutináveis publicamente, sendo tão mais importantes quanto maior o relevo e o poder dessa figura publica na sociedade.

A declaração de apoio da figura publica António Costa, primeiro ministro de Portugal ao Luis Filipe Vieira, presidente e candidato a presidente do Benfica e arguido em vários processos não pode em nenhum caso ser vista como algo da esfera pessoal. É uma declaração de apoio publica do presidente do PS, do Primeiro ministro de Portugal, tal como foi a visita ao Sócrates e que mostram bem a forma como o detentor do poder executivo em Portugal procura condicionar a aplicação do poder judicial aos que lhe são próximos.

Não está em causa que um político possa apoiar qualquer lista a qualquer associação ou clube. O que está em causa é se pode alguém com um poder publico muito forte, apoiar publicamente outra figura publica que tem processos a correr contra ele ou com quem, as entidades em que exerce o poder têm relações importantes e possam asism condicionar quer a justiça quer o resultado das eleições. 

Todos os políticos escolheram ser figuras publica, e nem o Costa, nem o Medina tem o direito de escolher o que é um ato publico ou o que é um ato privado.

O homem que destruiu Abril e a sua conquista maior a liberdade do 25 de Novembro

  Em 2015 António Costa quebrou uma barreira que estava estabelecida pelos fundadores da democracia em Portugal, Sá Carneiro e Mário Soares....